
"Dove, Relatos da Real Beleza”
O vídeo analisado da marca Dove, apresenta um conjunto de pessoas que são retratadas por um senhor. Estes retratos são feitos sem o homem ver sequer o rostro das mulheres que irá retratar. O que se pretende é que estas se descrevam a elas próprias, tendo em conta e abordando todas as suas características, tanto aquelas que elas consideram potencialidades, como as que consideram menos boas ou que despertam inseguranças nelas mesmas. À medida que elas se vão descrevendo, o senhor vai criando o retrato.
Posteriormente, outra pessoa descrevia essa mesma mulher que se traçou anteriormente, enquanto que o senhor seguia o mesmo procedimento, mediante a descrição que ouvia esboçava o retrato da pessoa. No fim, eram chamadas as duas pessoas (a que se descreveu a si própria e a que fez a descrição desta), e eram mostrados os resultados dos dois retratos da mesma pessoa.
Com base nos resultados, as pessoas afirmavam a dificuldade que existe quando se tentam descrever. Os retratos eram completamente diferentes, pois a pessoa que se descrevia a si própria enfatizava as características de que ela menos gostava e de certa forma até exagerava esses mesmos traços (rugas, queixo demasiado grande, etc...), é muito mais fácil identificar defeitos do que potencialidades, seja por uma questão de baixa autoestima, seja por um assunto de humildade. Em contrapartida, a pessoa que a descrevia, falava nesses traços de forma muito leve, sem dar-lhes muito ênfase e focando-se em aspetos que a própria pessoa nem referiu. Isto remete para o facto de sermos demasiado críticos connosco próprios, muito mais do aquilo que o são as restantes pessoas.
Quando confrontadas com
o retrato delas próprias feito através da forma como outras pessoas as vêm, e,
portanto, com a perceção que os outros tinham delas, estas concluíram que tinham
muito trabalho a fazer como elas próprias, sobretudo relativamente a questões
como a autoestima, a auto valorização, etc...
Por vezes descrevemo-nos, vemo-nos e focamo-nos em coisas que consideramos mais negativas, o que não corresponde nem à realidade nem à forma como os outros nos veem. Temos tendência a achar que os outros nos veem de uma forma crítica e focando-se em coisas que esteticamente não são perfeitas.
Neste sentido, considero pertinente desconstruir as mentalidades das pessoas, alertando para a necessidade de sermos mais positivos do que negativos. Portanto, importa intervir com os indivíduos e trabalhar com eles a autoestima, uma vez que isso tem repercussões a nível das relações interpessoais e ainda a nível do próprio bem-estar.
Sandra Fidalgo