Intervenção em Educação Intercultural


Sandra Pereira Fidalgo


Este portfólio é o lugar onde decidi fazer uma compilação de reflexões críticas, trabalhos e materiais desenvolvidos por mim, com a finalidade de demonstrar as minhas habilidades, competências, qualificações e experiências, enquanto futura educadora social. 

Sobre mim

O meu nome é Sandra Fidalgo, 22 anos de idade e sou aluna do terceiro e último ano da Licenciatura de Educação Social. 

Resolvi apostar nesta licenciatura pois tenho a certeza que é através da educação social e do saber pedagógico, técnico e humano distintivos deste profissional, que é possível orientar os indivíduos na resolução dos problemas sociais característicos da nossa sociedade.    

Concluir esta licenciatura é unir um sonho a um objetivo. Obter o diploma que me acredita enquanto educadora social e, consequentemente, adquirir os conhecimentos que o melhor Instituto Politécnico de Portugal, o Instituto Politécnico de Bragança (IPB),  me transmitiu ao longo de três anos.   

 


Introdução

Um portfolio é uma série de diferentes tipos de documentos, que neste caso vão desde anotações pessoais, experiências das aulas, trabalhos pontuais, aprendizagens e ainda relações com outros temas de fora da universidade e, portanto, pertencentes a várias temáticas do nosso dia a dia. 

O que agora, já no fim da unidade curricular de Intervenção em Educação Intercultural e, consequentemente, no fim da licenciatura de Educação Social, me proporciona várias evidências de conhecimentos que, através das aulas, fui construindo, bem como as diferentes estratégias que utilizei para aprender esses mesmos saberes.


Reflexões Semanais 

Primeira Semana - 22 e 23 de fevereiro de 2021

Na primeira semana procedemos à apresentação da docente bem como dos distintos conteúdos curriculares que foram sendo abordados ao longo do semestre. Nesta fase foram também abordadas questões práticas tais como a dinâmica e a metodologia de avaliação, a pormenorização do programa e ainda a apresentação dos diferentes objetivos da unidade curricular.  

Posteriormente e em grupo fizemos uma nuvem on-line, na qual colocamos várias caraterísticas positivas que consideramos ter. Uma vez concluída, facilmente percebemos que a maior parte do grupo escreveu aquelas que eram socialmente corretas. 

Foi-nos proposto fazer uma reflexão acerca das ferramentas dos educadores sociais. A principal ferramenta mencionada foi a escuta ativa, desta forma chegamos à conclusão de que, a maior parte das vezes, fazemos perguntas partindo dos nossos preconceitos, mesmo que por vezes o façamos de forma inconsciente e despropositada. O que é certo é que todos nós, enquanto Seres Humanos e enquanto pessoas que vivem em sociedade, temos preconceitos e este facto é indiscutível! Tão indiscutíveis quanto a realidade desses mesmos preconceitos já nascerem connosco, pois nos crescemos sendo ensinados e educados de acordo com os mesmos. Por exemplo, se os progenitores forem racistas, esse mesmo preconceito será transmitido para a geração seguinte. Desta forma, a criança irá desenvolver-se de acordo com o mesmo e só irá questionar-se acerca dele quando já tiver maturidade para tal. Contudo, esse mesmo preconceito referente à raça, poderá continuar, pois para a criança já é algo normal.

Falamos também na "Igualdade na diferença" para isto vimos uma ilustração pertence à plataforma "El País", e através da mesma concluímos que quando as pessoas no geral pedem igualdade, aquilo que elas realmente querem é equivalência, justiça e imparcialidade. Ou seja, que enquanto cidadãos tenhamos os mesmos direitos, independentemente de sermos portugueses ou africanos, homens ou mulheres, pretos ou brancos, etc... Porque a verdade é que somos todos pessoas, e não existe uma hierarquização de raças, etnias ou sexo, a não ser nas mentalidades de algumas pessoas!  

 
 

Segunda Semana - 1 e 2 de março de 2021

Nesta semana, já com alguma noção do que era a unidade curricular e daquilo que iremos abordar ao longo do semestre, realizamos um exercício através de uma roda virtual, que ao rodá-la apresentava várias perguntas de autoconhecimento às quais tínhamos de responder. O objetivo, mais uma vez, era conhecermo-nos a nós próprios, pois para trabalhar com "os outros" e para intervir onde e com quer que seja, temos de conhecer a nossa identidade.    

A continuação, foram criadas várias salas simultâneas na plataforma Zoom, onde ficaram, de forma aleatória, duas pessoas em cada uma dessas salas durante 20 minutos. Durante esses 20 minutos, devíamos dialogar com a pessoa que nos calhou, sendo que no meu caso não conhecia a pessoa com quem fiquei, portanto houve uma dificuldade acrescida pois ambas somos pessoas tímidas e foi precisamente a partir daqui que partimos. Através do diálogo, tínhamos de descobrir 3 características positivas e 3 características negativas em comum e ainda uma coisa preferida da pessoa com quem dialogamos. Obviamente não podíamos ser diretas e perguntar logo as diferentes informações que pretendíamos saber, era necessário desenvolver um diálogo e, através deste, acabamos por descobrir bem mais daquilo que era suposto. Para tal foi necessário desinibir-nos e exteriorizar os nossos pensamentos, o que serviu já como treino dessa competência pois um educador deve ser capaz de contactar, dialogar e privar com as pessoas, seja de forma imprevista e improvisada (como nesta aula), seja de forma antecipada.    

Para além das atividades e exercícios referidos anteriormente, tivemos também de refletir acerca de quem eramos a nível cultural, com o objetivo de nos apresentarmos culturalmente respondendo à questão: Quem sou eu? 


Atividade - "Apresentação Cultural - Quem sou eu?"

Relativamente à minha religião, afirmo que sou católica. Isto deve-se, não só à forma como fui educada pelos meus pais, avós e restantes familiares, mas também, ao facto de desde pequenina ter estudado numa escola de freiras, na qual se celebravam todos os dias marcantes da religião, de forma deveras sentida.

Outro traço realmente relevante da minha cultura, foi o facto de ter nascido noutro país que não Portugal. Sou filha de pais emigrantes em Andorra e, por consequência, sou andorrana. Portanto, na minha cultura e na minha vida estão inseridos traços portugueses e traços andorranos, que vão desde: 

  1. A linguagem, falo fluentemente catalão, espanhol, português e ainda francês;   
  2. A alimentação, embora agora tenha vindo viver para o país dos meus pais, continuo a apreciar os pratos típicos de Andorra e que, assim como os pratos portugueses, marcaram a minha vida. Embora morasse em noutro país, quando vinha passar férias a Portugal, gostava também de um bom arroz de cabidela, cabrito assado e, sobretudo, do folar tão característico da cidade dos meus pais;
  3. O vestuário, é algo que me caracteriza e que, muitas vezes, me distinguiu das pessoas da minha idade, por vestir-me de maneira formal de mais para a minha idade.   


Terceira Semana - 8 e 9 de março de 2021

Nesta semana a principal questão abordada foi centrada na frase: "O Homem como produtor e produto de cultura". Sendo este o tema central da semana, tivemos de refletir acerca da frase referida anteriormente, o que foi crucial para poder entender conceitos discutidos como: a cultura, valores, identidade, significação e subjetivação. 

Posteriormente visualizamos um vídeo e falamos sobre multiculturalismo, cross-cultural e interculturalidade. Através de todos estes conceitos abordados, percebi que todos nós convivemos com outras culturas, mesmo que não queiramos, não gostemos ou não nos apercebamos. No entanto, não é por conviver com elas que as aceitamos, pois aquilo que é normal de acontecer noutros países ou que é comum noutras culturas pode não ir de acordo com as nossas normas, valores ou princípios. Por exemplo, na nossa sociedade ninguém iria permitir ou assistir ao apedrejamento de um indivíduo até à morte e ficar indiferente a esta situação e isso vai muito além da diversidade cultural.

Desta forma concluo que na verdade a sociedade não aceita a diversidade cultural, limita-se sim a tolerar! Tolerar a diferença. Ou seja, toleramos a presença das "outras culturas" no nosso território, mas têm de agir de acordo com as nossas normas e leis.  


Quarta Semana - 15 e 16 de março de 2021

Demos início a esta semana com a visualização de dois vídeos acerca da aculturação e um vídeo sobre o multiculturalismo e os direitos humanos, sendo que o objetivo da observação destes conteúdos era analisá-los e discuti-los de forma crítica.  

Com base nesta analise foi-nos possível definir conceitos como a aculturação, o multiculturalismo, o relativismo-cultural e ainda o universalismo cultural.

Ainda através destes vídeos compreendi a principal problemática existente nas culturas. Esta está relacionada com o facto das culturas serem demasiado fechadas, e é necessário ter em conta que todas as culturas têm diferentes noções de dignidade humana e, portanto importa relacionar esta questão com a ideia de que somos todos iguais na diferença. Declara-se então que o multiculturalismo é uma ilusão, uma ideia irrealizável, contudo não devemos prender-nos a isto e não agir.

Posteriormente elaboramos um mapa mental acerca das análises e discussões feitas como forma de consolidação.

Vídeo visualizado, sobre a aculturação


Vídeo visualizado, sobre a aculturação


Quinta Semana - 22 e 23 de março de 2021

Nesta quinta semana da unidade curricular, retomamos a definição de cultura e olhamos para esta enquanto sustentação da educação, seja da educação formal ou da informal e, portanto, esta será a base da educação social.

Posteriormente, dialogamos acerca da relevância do diagnostico e do levantamento das necessidades nesta fase, pois não pretendemos que o individuo alcance uma meta para a qual não esta preparado. 

Desta forma concluímos que o educador social, enquanto profissional desempenha um papel transformativo e coeso, inclusivamente no tema referente à cultura, pois este técnico trabalha sócio educativamente 

Ainda na presente semana, introduzimos a temática relacionada com a inclusão e a exclusão social. Para tal, visualizámos um vídeo para que, juntamente com os esclarecimentos apresentados, tivéssemos uma noção mais ampla da temática que iria estender-se para a aula seguinte. 

Vídeo visualizado acerca do multiculturalismo e dos direitos humanos


Sexta semana - 6 de abril de 2021

Esta semana caracterizou-se pela modalidade assíncrona, na qual realizamos uma reflexão crítica acerca da temática : "Os Cinco Lugares de Impacto da Exclusão Social". Para o efeito, lemos um artigo científico, através do qual tivemos de realizar um esquema que explicasse a temática envolvente do mesmo. 

Como referi anteriormente, reflexionei de forma crítica acerca das aprendizagens que obtive através do artigo analisado e refleti ainda acerca da implicação do tema para a intervenção em interculturalidade na educação social,  

A elaboração do trabalho enquanto reflexão crítica, fez com que eu refletisse acerca dos diferentes fatores de risco para a exclusão social, bem como das diferentes desigualdades sociais, pobreza, desemprego, entre outros… Refletindo ainda acerca da forma como estes fatores são cíclicos, na medida em que uma desigualdade social pode levar a outra. O que é certo é que existem diferenças, contudo, o que importa aqui é que essa diferença não nos torne ou não faça com que nós, com as nossas diferenças e características nos consideremos melhor que o outro. 

Com todas estas reflexões, concluí que a intervenção intercultural por parte do educador social é deveras crucial e de ampla relevância, o que resulta do papel de mediador deste profissional, pois é como uma espécie de intermediário na gestão de possíveis conflitos entre o individuo excluído da sociedade e a sociedade em si, com o objetivo de pôr término a essa mesma exclusão.   


Sétima semana - 12 e 13 de abril de 2021

Demos início a esta semana através de uma discussão argumentativa acerca do texto que referi na semana anterior.  Com base nesta discussão foi-nos proposto refletir e suscitar sobre algumas competências que o educador social deve ter, como por exemplo a reflexividade.  

Com base nas diferentes reflexões semanais que constituem o presente portfólio, corroboro que estas discussões e reflexões, que tão bem caracterizam a dinâmica das aulas desta unidade curricular, são deveras importantes para mim, não só enquanto aluna, mas também enquanto futura educadora social. Estes debates ajudam-me no sentido de desenvolver as minhas capacidades de argumentação, comunicação e raciocínio, 

Este exercício de troca e discussão de ideias, foi utilizado enquanto método para introduzir uma nova temática: a exclusão. Para tal, começamos por referir e esmiuçar os diferentes défices da sociedade contemporânea apresentando algumas razões que levaram ao aumento da exclusão e da marginalização.

Sendo a exclusão o principal tema da semana, definimo-la enquanto rotura do individuo ou do grupo com a sociedade, o que acarreta consequências para o mesmo, tais como: a marginalização ou até mesmo a autoexclusão, que acontece quando o indivíduo tem noção e se sente excluído pela sociedade e, portanto, procura bairros sociais, achando que lá irá deixar de sentir-se excluído, o que até pode acontecer. Contudo, nesses bairros sociais é costume encontrar-se comportamentos inadaptados e fora do comum, o que fará com que o indivíduo se marginalize aquando da presença e da prática desses mesmos comportamentos,  

Posteriormente referimos e abordamos os diferentes tipos de exclusão: a geográfica e a interdita.

Assim sendo, e em modo de conclusão, a exclusão social ocorre devido a uma série de fatores, fatores esses que enquanto educadores sociais não devemos menosprezar nem abster, pois para podermos intervir é necessário que conheçamos bem a problemática em questão, desde as diferentes razões e fatores de exclusão, até ao por quê é que o individuo é excluído, fazendo um elo de ligação para posteriormente intervir da forma mais adequada e pertinente.  

Oitava semana - 19 e 20 de abril de 2021

Nas sessões que constituem esta semana, continuamos a temática da semana anterior e assim sendo referimo-nos à exclusão enquanto entrave à assimilação e à integração.   

Nesta semana compreendemos que a exclusão social, é algo muito basto, que pode existir nos cargos sociais e profissionais ou até mesmo nas escolas. existem crianças e/ou jovens que são excluídos devido ao insucesso escolar. 

Assim sendo adquiri novos conhecimentos e referências que foram essenciais na consolidação desta temática. E foi precisamente a pretexto desses mesmos conhecimentos que depreendi que os motivos e os fatores que levam à exclusão social são cada vez mais, o que se deve à evolução que ocorre constantemente na sociedade. E é precisamente essa mesma sociedade tida como natural e exemplar que se articula, acabando por excluir aqueles que, por algum motivo, se afastam da norma e que, portanto, fogem daquele que é o padrão considerado normal. Por vezes, o afastamento à norma, que referi precedentemente, deve-se ao facto de essas pessoas excluídas não quererem deixar para trás algo que para elas é importante e que faz parte da sua identidade, apenas para se integrar e fazer parte de um grupo, estamos então a falar de aspetos como a própria cultura, ideais e princípios.

Desta forma, aquilo que realmente importa é que o educador social trabalhe com a sociedade, no sentido de desconstruir ideias pré-concebidas, preconceitos e estigmas. Pois, por vezes o auge da exclusão não está no indivíduo excluído ou nos comportamentos que este tem, mas sim na sociedade que não aceita natural e espontaneamente o individuo que tem características, hábitos, valores e princípios diferentes ou menos comuns.   


Nona semana - 26 e 27 de abril de 2021

Nesta semana aperfeiçoamos e concluímos a temática da exclusão social, para posteriormente avançar para a seguinte temática, que está relacionada com a autoexclusão e com a forma como os outros nos veem.

Para introduzir estas temáticas recorremos à visualização de um vídeo da célebre marca, Dove. O vídeo visualizado foi: "Dove, Retratos da Real Beleza - Versão Estendida". Neste vídeo, as pessoas descreviam-se fisicamente e essa mesma descrição era particularmente das expressões e da aparência da sua face. Mediante essa descrição e sem nunca ter visto essas pessoas, um senhor chamado Gil Zamora, treinado pelo FBI em arte composta e um profissional artista forense, traçava um esboço/retrato da pessoa que se descrevia. Posteriormente, vinha uma outra pessoas que já tinha visto a pessoa que se descreveu anteriormente, e tratava de descrevê-la enquanto que o artista forense traçava de novo o retrato da primeira pessoas, mas com indicações e descrições diferentes. Finalmente, comparavam-se ambos retratos e os resultados eram muito discrepantes, no sentido em que a pessoa que se descrevia a ela própria enaltecia questões como as rugas, o formato do nariz, a aparência do cabelo, etc... Enquanto que, essas mesmas questões passavam quase desapercebidas quando era descrita por outra pessoa, o que significa que não são questões tão relevantes, marcantes ou salientes quanto isso.

Isto remete-nos, inevitavelmente, para uma reflexão ponderada não só acerca deste vídeo e daquilo que ele nos sugere, mas também acerca da forma crítica como nos vemos dia após dia e sobre a qual quase que nem nos apercebemos. Esta forma crítica deve-se, tal como releva o vídeo, ao facto de nos focarmos mais nos aspetos que consideramos negativos do que nos positivos, o que está completamente errado, porque primeiro: não há aspetos ou características positivas ou negativas, há características. E segundo: enquanto pessoas, ainda bem que existem características que nos diferenciam e que nos tornam especiais, porque como eu costumo dizer, se fôssemos todos iguais, éramos cereais.  

Sim, até podem achar que isto é só conversa e que os complexos e inseguranças continuam aí, presentes nas vossas vidas. E sim, eu concordo. Concordo porque enquanto ser humano imperfeito (como todos nós) também os tenho. Mas, importa aqui referir porque é que os tenho, talvez seja pelo facto de ter sido alvo de gozo, o que aconteceu ainda no inicio da minha licenciatura e, o que é pior e mais grave, por parte de pessoas que estão a licenciar-se precisamente na profissão que deve intervir e provocar mudanças nestas situações que, inevitavelmente, afeta a autoestima das pessoas. 

Mas, será que nós é que estamos mal? Será que nós é que estamos a fazer algo errado? Será que nós, com as nossas características estamos a causar algum alvoroço ou confusão? Não, não e não. O problema está nessas pessoas, que para se sentirem bem com elas próprias têm de gozar, diminuir e espezinhar os outros, como se elas fossem o auge da perfeição. E é precisamente desta forma que devemos pensar e passar por cima destes desprezos e humilhações. É por questões como estas que existem pessoas incapazes de sair à rua sem camadas de maquilhagem ou que quando sabem que vão estar num lugar muito frequentado necessitam de usar peças de roupa nova, pois sentem uma necessidade acrescida de sentir-se seguros e bem apresentados para não serem julgados pelos outros 

Desta forma, concluo que esta temática, sobre a qual fiz uma reflexão crítica que consta neste portfólio, foi das mais marcantes e que mais me fez reflexionar e questionar-me se os outros me veem da mesma forma que eu ou se, porventura, acontece a mesma situação que observamos no vídeo. 


Décima semana - 3 e 4 de maio de 2021

Ao longo destas sessões, continuamos o nosso trabalho relativamente às questões de inclusão e exclusão social enquanto problemas sociais e, para o efeito, demos conta que estas questões são fácil e frequentemente confundidas com problemas como a pobreza. 

Embora exclusão social e pobreza sejam realidades completamente opostas, o que é certo é que existe um vínculo resistente e corpulento entre estes dois termos, pois havendo pobreza existe sempre algum tipo de exclusão. Em controvérsia, também existem casos de exclusão social que não têm qualquer tipo de relação com a pobreza. E isto deve-se ao facto de a pobreza ser uma das dinâmicas sociais, económicas e políticas que estão inter-relacionadas com a exclusão e a inclusão, para além da pobreza, são exemplos dessas dinâmicas a globalização, o desemprego, as desigualdades sociais e ainda a sociedade de risco.  Nesse sentido, demos conta de várias situações, conhecidas por nós no nosso quotidiano, onde existe a exclusão social: na população de etnia cigana, na faixa etária dos idosos, nas pessoas com deficiência, etc...  

Apesar de termos falado de exclusão social ao longo de várias sessões, foi nesta semana que refletimos de forma clara e objetiva sobre o que é realmente estar excluído e o que é que isso implica: ser excluído é não ter acesso a bens e serviços e a padrões de consumo aceitáveis numa determinada sociedade, através dos rendimentos vindos do trabalho ou de apoios, não ter acesso à educação ou a qualquer outro esquipamento de caráter social que mantenha a qualidade de vida dos indivíduos. 

Décima primeira semana - 10 e 11 de maio de 2021

Demos início a esta semana através de uma aula assíncrona, na qual realizei uma reflexão acerca do determinismo das categorias da exclusão social.   

Assim sendo e através da reflexão mencionada anteriormente, percebi que existe uma diferenciação das pessoas vulneráveis à exclusão no que toca ao tempo: as tradicionais e as novas. Nas categorias sociais tradicionais desfavorecidas existiram enquanto pessoas vulneráveis à exclusão social: os idosos, os camponeses pobres e os indivíduos assalariados com fracas qualificações. Já nas novas/contemporâneas categorias sociais desfavorecidas ou vulneráveis à exclusão social existem os indivíduos desempregados de longa duração, os grupos étnicos, as famílias monoparentais, as pessoas com deficiência, os jovens em risco, os sem abrigo, os trabalhadores precários, as mulheres, os jovens à procura do primeiro emprego, os indivíduos com doença crónica e ainda os beneficiários sociais.

Através de uma comparação entre ambas as categorias (tradicionais e novas) constatei que nas categorias sociais tradicionais desfavorecidas havia menos indivíduos vulneráveis à exclusão social, o que pode dever-se ao facto de não haver tantas classes sociais que diferenciassem as pessoas nessa época. Por exemplo, numa aldeia, a maior parte das pessoas eram pobres e camponesas, portanto, predominava a insuficiência de recursos económicos e a difícil rentabilidade de uma atividade tradicional. Visto que essa era a supremacia, apenas eram excluídos e existia exclusão por parte de uma pequena parte da sociedade, assim sendo, e contrariamente ao que acontece na atualidade, os excluídos estavam em grande número e, portanto, aqueles que não eram excluídos é que eram considerados diferentes, não tendo a exclusão consequências tão fortes e impactantes como tem atualmente e é precisamente nesse sentido que verificamos que cada vez existem mais categorias de exclusão.


Décima segunda semana - 17 e 18 de maio de 2021

Uma vez que nas sessões anteriores concluímos a grande temática da exclusão social, nesta semana demos início à temática da Educação Intercultural, onde abordamos questões como o etnocentrismo e o etnorelativismo.

Como o próprio nome indica, o etnocentrismo acontece quando o individuo acredita que a sua visão é a única correta, e este surge com base em três fases: a negação, a defesa e a minimização. Já o etnorelativismo, é o oposto, trata-se da visão das outras culturas enquanto diferentes mas igualmente válidas e, portanto, onde todas as culturas podem ser entendidas. As fases deste são a aceitação, a adaptação a integração. 

Uma vez que falamos na aceitação ou na negação das diferentes culturas, achei importante referir a diversidade cultural que o Instituto Politécnico de Bragança engloba.  

Ainda numa das sessões desta semana, tivemos o privilégio de privar com a convidada: Dr.ª. Isabel Oliveira, especialista em mediação de conflitos. E sendo esta a sua especialidade, abordou questões como os processos de mediação e qual a sua perspetiva perante os mesmos.  Para além destas questões, referiu ainda algumas das ferramentas que o educador social, enquanto mediador, deveria ter: a reflexividade e a neutralidade. O que ademais de ter sido um sessão importante, foi uma mais valia para mim, uma vez que me ajudou a perceber e a pensar sobre como deveria agir na prática.

Décima quarta semana - 31 de maio e 1 de junho de 2021

A décima quarta semana foi subsequente à semana onde fizemos uma revisão geral dos conhecimentos, com o intuito de esclarecer dúvidas e assim ficarmos preparados para a frequência.

Desta forma, na presente semana desenvolvemos uma discussão argumentativa acerca da mediação. Para tal vimos um vídeo e refletimos acerca do mesmo. O vídeo pertence à Ágora Mediación e trata-se de uma entrevista feita a Joseph P. Folger.

Neste vídeo, compreendi melhor do que se trata o processo de mediação, a importância da delineação dos objetivos a alcançar com a mediação e o interesse existente em que ambas as partes encontrem a resolução para o problema ou conflito. 

Esta sessão foi crucial, pois fez-me olhar para o educador social enquanto mediador, pois eu imaginava um mediador apenas enquanto advogado ou profissões semelhantes.  

Para além da mediação, assistimos a um webinar acerca da Influência das novas tecnologias e das novas formas de relacionamento no desenvolvimento humano, tendo como oradora convidada a Professora Doutora Mª del Pilar Quiroga Méndez (Universidad Pontificia de Salamanca).

Ao longo deste webinar fui refletindo acerca desta realidade, que com a situação pandémica se tem agravado e muito. Passamos inúmeras horas à frente de um computador, tablet ou telemóvel, pois atualmente tudo é feito através dos aparelhos eletrónicos, desde trabalhos, aulas, convívios, etc... Mas também não é correto dizermos que isto se deve só e unicamente à pandemia que atravessamos, há dois anos atrás não existia COVID-19 e também se assistia a situações em que estava, por exemplo, um grupo de amigos numa esplanada e pouco ou nada conviviam, conversavam ou riam entre eles, estava cada um no seu aparelho e pouco mais acontecia para além disso.   

E as consequências de todo o tempo que passamos agarrados a um aparelho eletrónico? 


Décima quinta semana - 7 e 8 de junho 

Na primeira sessão desta semana, tivemos de formar vários grupos, sendo que cada um deles deveria ter três elementos. Estes grupos serviram para dar início às tão desejadas aulas práticas, sendo que esta foi acerca da mediação.

Uma vez que os grupos estavam formados e colocados em diferentes salas do Zoom, foi-nos explicado em que consistia o exercício que tínhamos de desenvolver. Este tratava-se de uma simulação, onde um dos elementos do grupo era o mediador, outra senhora era uma vendedora de um apartamento e eu desenvolvi o papel de Sr. João. Cada personagem tinha as suas características e papel bem definido, contudo cada elemento só tinha acesso às suas características, sendo que o meu resumia-se da seguinte forma:



Sr. João - Comprador

Comprar casa, com terraço ou varanda grande. T3 com garagem e cozinha moderna e situada na zona periférica.

Max. valor 200 mil euros. Pode subir até aos 230 mil euros.

Personalidade: impaciente, machista e com ideias fixas.


De acordo com estas indicações, desenvolvi o meu papel enquanto comprador, tendo em conta todas as exigências e traços de personalidade. Depois de muita discussão e tentativas, o Sr. João não comprou a casa, o que, à primeira vista, me pareceu ser por causa de querer uma casa e estarem a oferecer um apartamento, no centro da cidade, etc... Contudo, rapidamente me apercebi que na verdade se tratava de uma questão financeira e monetária, o que me remete para a realidade de que às vezes, na mediação, aquilo que parece ser o ponto fundamental pode não sê-lo. Neste caso, não eram as características da casa que estavam em causa mas sim o preço. O Sr. João podia não estar interessado na compra de um apartamento ou pelo menos um apartamento com aquelas características e àquele preço, no entanto se o valor do apartamento fosse rebaixado ele poderia estar interessado.

Como vimos, um dos traços de personalidade do Sr. João era o machismo e visto que estava numa tentativa de fazer negócio com uma vendedora (sexo feminino), usou esse mesmo traço para tentar intimidar a vendedora e sair beneficiado, portanto, estamos perante um desequilíbrio de forças, devido à diferença de género. Desequilíbrio esse em que o mediador teve de intervir, precisamente para equilibrar a situação.     

Desta forma passamos para o facto de que o conflito não é algo negativo, que é precisamente a ideia que temos, não é por nós darmos a nossa opinião que estamos a ser negativos. Aliás, a maior parte das vezes a partir desses conflitos apreendemos alguma coisa, embora não mudemos a nossa opinião, mas o que é certo é que existe um processo de aprendizagem.

Os conflitos trazem mudanças e transformações, seja nas pessoas, nas relações ou até mesmo na criatividade. Mas, devido à ideia que a sociedade tem de que os conflitos são maus, fugimos deles e ao fugir deles estamos a alimentar esse conflito de uma forma negativa, poi ele não vai desparecer assim, pelo contrário, passa de conflito para problema.  Por exemplo, quando existe um conflito entre duas crianças é habitual o adulto chegar lá e dizer "pronto, já passou. Deem lá um abraço", isto não resolve nada, o conflito está a ser escondido e assim que as crianças se afastam do adulto, volta tudo ao mesmo ou pior.

Ainda nesta sessão abordamos a questão da mediação narrativa e apreendi que esta assume que as pessoas vivem com base nas suas histórias. Ou seja, nós frequentemente olhamos para uma pessoa enquanto pessoa despida, ou seja não temos em conta que se calhar ela agiu desta forma devido a uma vivência ou experiência que teve. E o educador social, enquanto mediador deve ter em conta que a pessoa não é uma pessoa despida de vivências, ela tem histórias e experiências. Aliás, o mediador até deve procurar os pontos fracos dessas histórias e usá-los enquanto ponto de partida. 


Reflexões Críticas


Ao falar em mediação referimo-nos, inevitavelmente, a um processo. Trata-se, portanto, de um procedimento através do qual aquilo o que é pretendido é que uma "terceira parte", que neste caso pode ser um educador social, intervenha e trabalhe com os indivíduos no sentido de ajudá-los a transformar a interação negativa, desfavorável e prejudicial...

O fenómeno de exclusão exprime-se através de manifestações múltiplas e diversas que são manifestações de desagregação que conduzem ao isolamento e à não participação real e simbólica dos excluídos.

O vídeo analisado da marca Dove, apresenta um conjunto de pessoas que são retratadas por um senhor. Estes retratos são feitos sem o homem ver sequer o rostro das mulheres que irá retratar. O que se pretende é que estas se descrevam a elas próprias, tendo em conta e abordando todas as suas características, tanto aquelas que elas consideram...

Os dois principais pontos do artigo analisado são a exclusão e a inclusão social, trata-se, portanto, de conceitos muito presentes na nossa sociedade e, sobretudo, muito flexíveis, pois são realidades que sempre existiram e com as quais aprendemos a viver.

Ao falar em cultura referimo-nos inevitavelmente à sociedade, pela riqueza e multiplicidade de formas de existência. São deveras complexas as realidades dos agrupamentos humanos e as características que os unem e diferenciam ao mesmo tempo, estas são expressas precisamente pela cultura.


Considerações Finais

Nesta parte do portfólio pretendo fazer uma síntese do que foi possível refletir e aprender com esta unidade curricular e ainda avaliar o meu desempenho enquanto aluna. 

Confesso que fiquei surpreendida com o desenvolvimento desta unidade curricular, pois não foi nada daquilo que esperava. Enquanto aluna do terceiro ano, expectava que fossem aulas como todas as outras: aulas monótonas, onde a principal função dos alunos é "decorar toda a teoria". Contudo, aquilo que obtive foram aulas dinâmicas, nas quais se destacaram a reflexão acerca da teoria e ainda a participação, não só da docente e dos discentes, mas também a de alguns convidados que enriqueceram as nossas sessões e aprendizagens. 

E foi precisamente a partir destas reflexões e participações que saímos da típica frase que antecedia todas as nossas respostas quando eramos questionados nas aulas:  "acho que". Muitos dos conhecimentos que foram abordados nesta unidade curricular, já tinham sido falados ao longo da licenciatura e, portanto, já os percebíamos instintivamente. Contudo, considero que faltavam algumas bases, um empurrão que nos fizesse sair da teoria para a prática, tendo convicção naquilo que estávamos a pensar e/ou dizer, e foi precisamente nesta unidade curricular que isso foi possível. 

Torne-se membro

Este é o lugar onde o seu texto começa. Pode clicar aqui e começar a digitar. Consequuntur magni dolores eos qui ratione voluptatem sequi nesciunt neque porro quisquam est.

Bragança, 2021 - Desenvolvido por Sandra Fidalgo
Desenvolvido por Webnode
Crie o seu site grátis! Este site foi criado com a Webnode. Crie o seu gratuitamente agora! Comece agora