Nona semana - 26 e 27 de abril de 2021
Nesta semana aperfeiçoamos e concluímos a temática da exclusão social, para posteriormente avançar para a seguinte temática, que está relacionada com a autoexclusão e com a forma como os outros nos veem.
Para introduzir estas temáticas recorremos à visualização de um vídeo da célebre marca, Dove. O vídeo visualizado foi: "Dove, Retratos da Real Beleza - Versão Estendida". Neste vídeo, as pessoas descreviam-se fisicamente e essa mesma descrição era particularmente das expressões e da aparência da sua face. Mediante essa descrição e sem nunca ter visto essas pessoas, um senhor chamado Gil Zamora, treinado pelo FBI em arte composta e um profissional artista forense, traçava um esboço/retrato da pessoa que se descrevia. Posteriormente, vinha uma outra pessoas que já tinha visto a pessoa que se descreveu anteriormente, e tratava de descrevê-la enquanto que o artista forense traçava de novo o retrato da primeira pessoas, mas com indicações e descrições diferentes. Finalmente, comparavam-se ambos retratos e os resultados eram muito discrepantes, no sentido em que a pessoa que se descrevia a ela própria enaltecia questões como as rugas, o formato do nariz, a aparência do cabelo, etc... Enquanto que, essas mesmas questões passavam quase desapercebidas quando era descrita por outra pessoa, o que significa que não são questões tão relevantes, marcantes ou salientes quanto isso.
Isto remete-nos, inevitavelmente, para uma reflexão ponderada não só acerca deste vídeo e daquilo que ele nos sugere, mas também acerca da forma crítica como nos vemos dia após dia e sobre a qual quase que nem nos apercebemos. Esta forma crítica deve-se, tal como releva o vídeo, ao facto de nos focarmos mais nos aspetos que consideramos negativos do que nos positivos, o que está completamente errado, porque primeiro: não há aspetos ou características positivas ou negativas, há características. E segundo: enquanto pessoas, ainda bem que existem características que nos diferenciam e que nos tornam especiais, porque como eu costumo dizer, se fôssemos todos iguais, éramos cereais.
Sim, até podem achar que isto é só conversa e que os complexos e inseguranças continuam aí, presentes nas vossas vidas. E sim, eu concordo. Concordo porque enquanto ser humano imperfeito (como todos nós) também os tenho. Mas, importa aqui referir porque é que os tenho, talvez seja pelo facto de ter sido alvo de gozo, o que aconteceu ainda no inicio da minha licenciatura e, o que é pior e mais grave, por parte de pessoas que estão a licenciar-se precisamente na profissão que deve intervir e provocar mudanças nestas situações que, inevitavelmente, afeta a autoestima das pessoas.
Mas, será que nós é que estamos mal? Será que nós é que estamos a fazer algo errado? Será que nós, com as nossas características estamos a causar algum alvoroço ou confusão? Não, não e não. O problema está nessas pessoas, que para se sentirem bem com elas próprias têm de gozar, diminuir e espezinhar os outros, como se elas fossem o auge da perfeição. E é precisamente desta forma que devemos pensar e passar por cima destes desprezos e humilhações. É por questões como estas que existem pessoas incapazes de sair à rua sem camadas de maquilhagem ou que quando sabem que vão estar num lugar muito frequentado necessitam de usar peças de roupa nova, pois sentem uma necessidade acrescida de sentir-se seguros e bem apresentados para não serem julgados pelos outros
Desta forma, concluo que esta temática, sobre a qual fiz uma reflexão crítica que consta neste portfólio, foi das mais marcantes e que mais me fez reflexionar e questionar-me se os outros me veem da mesma forma que eu ou se, porventura, acontece a mesma situação que observamos no vídeo.